terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Do samba-rural aos bumbos de Pirapora


Durante os anos 1930, apesar da influência exercida pelo samba carioca naquilo que se fazia em São Paulo, ainda existia certa divisão de espaço com o samba produzido na terra da garoa, com destaque para a produção do caipira Raul Torres.

Uma das músicas de maior sucesso na época foi "A cuíca está roncando" que, em 1935, causou alarde no carnaval paulistano e, em 1962, voltou a ser gravada pelo gaúcho Caco Velho. Além desse, outro samba paulista que fez sucesso nos anos 1930 foi "Bambas da Barra Funda", gravada por Januário França. O compositor desta obra era Henrique Costa - quem provavelmente tornou-se o saudoso Henricão, um dos principais nomes das raízes do samba da paulicéia.

Bastante diferentes entre si e daquilo que se fazia no Rio de Janeiro, os sambas paulistas da época possuíam em comum a sua base harmônica e rítmica, a qual era calcada em melodias de violões e violas caipiras. Diferentemente do que se observa atualmente, nesse período, era rara a utilização de instrumentos de percussão no samba.

Posteriormente, mesmo com a falta de características em comum, as manifestações populares paulistas foram classificadas no mesmo balaio como "samba-rural", denominação que não vingou por muito tempo.

Na verdade, "samba", em São Paulo, passou a ser entendido como sendo o "samba-de-bumbo" da popular festa de Bom Jesus de Pirapora. Contudo, o surgimento do samba não acontece nessa manifestação, uma vez que já existia o ritmo na maioria das cidades do estado antes da comemoração ganhar corpo.

A importância de Pirapora reside no fato de que, lá, reuniam-se diversos tipos de samba, devido à presença maciça de romeiros ligados ao ritmo. Essa junção também era possível, pois, na época, as pessoas eram mais religiosas do que atualmente, o que garantia a presença de muitos dos grandes nomes do samba paulista nesse tipo de comemoração.

Para as festividades íam batuqueiros de diversos tipos de samba como a Folia de Reis, a Festa do Divino, Cana Verde, e, principalmente, Congada, estilo muito rico em São Paulo. Mesmo com a presença de batuqueiros, na festa, fazia-se muita moda de viola, devido a forte presença de pessoas de Campinas, onde essa forma musical era comum.

Ainda que houvesse a convergência das várias vertentes do samba para Pirapora, por conta da característica religiosa da comemoração, algumas formas não eram aceitas pelos padres responsáveis, como, por exemplo, o jongo, a macumba e o candomblé. Contudo, muitos jongueiros participavam do evento.

Portanto, Pirapora influenciou o samba urbano com os seus bumbos e com a mistura dos estilos de se fazer o ritmo.

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