segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Significado de "samba" em São Paulo

A consagração nacional do samba carioca aconteceu nos anos 1930. Porém, antes disso, o termo "samba" não se referia a um gênero musical específico, e sim, apenas a diversões populares em que se tocava música, especialmente com ligação à cultura africana.

Com uma população majoritariamente interiorana, em São Paulo, chamava-se de "samba" uma parcela das cantorias festivas da época, principalmente, aquelas em que houvesse maciça e ativa paticipação de negros. Essas comemorações também recebiam o nome de "batuques". Apesar disso e de haver algumas qualificações do folclore regional (samba-lenço, samba-de-umbigada, etc), essas manifestações não apresentavam padrão musical.

A provável primeira aparição do termo "samba", em São Paulo, ocorreu em uma ata da Cãmara Municipal de Avaré, em 1889. A maneira como utiliza-se a palavra deixa clara a vagueza de significado que ela possuía no período: "Não me consta que houvesse jogo de búzio e cateretê ou fandango em outras casas, nas quais apenas fizeram tocatas, que são divertimentos próprios da Noite de Natal, havendo nos quartos do capitão Gabriel um divertimento denominado samba, o qual não me pareceu proibido pelas posturas" (retirado do Dicionário Musical Brasileiro, de Mário de Andrade).

Em 1917, houve a apresentação da música "Pelo telefone", assinada por Donga e Mauro de Almeida, mas criada em conjunto pelos frequentadores das tradicionais rodas da casa da Tia Ciata. Essa canção marcou a inédita exposição do samba para o grande público do Rio de Janeiro, mas não teve efeitos tão impactantes em São Paulo. Na terra da garoa, o que estava em alta era o, hoje, chamado samba "amaxixado", com destaque para as obras do compositor e pianista Sinhô. Esse estilo prevaleceu até o fim dos anos 1920.

O sentido específico da palavra "samba" só começou a firmar-se em São Paulo nos anos 1930, graças à reformulação rítmica elaborada nas escolas de samba cariocas, principalmente, a realizada pela pioneira "Deixa Falar", do Estácio de Sá, surgida em 1928.

As alterações sugeridas conseguiram chegar aos demais cantos do Brasil devido ao rádio e aos discos de gravação elétrica. É a partir daí que o Rio de Janeiro passa a gozar de uma "majestade" no samba que prevalece até hoje e que, por vezes, é descabida.

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